
“As Flores” de Madalena Fragoso | Portugal | 62’ | doc | 2025 | Estreia Regional
Sinopse:
Ao longo das quatro estações de um ano, uma praça no centro de Lisboa transforma-se. A repetição dos dias é observada através das quatro janelas de um quiosque.
Madalena Fragoso:
Madalena Fragoso nasceu em Lisboa, em 1992. É uma cineasta portuguesa cujo trabalho se situa nas fronteiras entre o documentário e a ficção, a partir de uma abordagem formalmente livre e observacional. Formada pela Escola Superior de Teatro e Cinema, os seus filmes nascem frequentemente de um envolvimento prolongado com lugares e pessoas, revelando camadas de intimidade, repetição e uma atenção poética ao quotidiano.
Em 2022, co-fundou o NOVOCINE, uma plataforma digital gratuita dedicada à divulgação de cinema independente em língua portuguesa, com o objectivo de prolongar a vida de filmes pouco exibidos e promover um acesso mais amplo a obras experimentais e de autor.
A sua segunda longa-metragem, As Flores (62’. 2025), é um documentário filmado ao longo de um ano a partir das janelas de um quiosque na Praça das Flores, em Lisboa. Anteriormente, co-realizou A Casa e os Cães (62’. 2019), com Margarida Meneses, um projecto híbrido desenvolvido ao longo de cinco anos. Paralelamente ao seu trabalho como realizadora, tem desenvolvido actividade como directora de produção em longas-metragens, colaborando regularmente com várias produtoras.

“Damas” de Cláudia Alves | Portugal | 93’ | doc | 2026 | Estreia Nacional
Sinopse:
Durante a primeira guerra mundial a luta também foi das mulheres. Um grupo de senhoras de alta sociedade oferece-se para ir para França como enfermeiras da Cruz Vermelha, também conhecidas como damas enfermeiras. Além do auxílio aos feridos e doentes, foram com uma missão: construir um hospital de raiz. De onde vieram? Que família deixaram para trás? Quais os sentimentos que ali viveram? Quais os desejos, desencantos e sonhos destas mulheres?
Cláudia Alves:
Realizadora e arte-educadora que vive entre Lisboa e Paris. Formou-se em realização pela Escola Internacional de Cinema de San António de Los Baños (Cuba). Anteriormente licenciou-se em Pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Durante o seu percurso nas artes plásticas, estudou na Academia de Belas Artes de Brera, em Milão, e na Universidade de Barcelona. Cláudia trabalhou como realizadora e simultaneamente diretora de fotografia em vários documentários em Portugal, em Cuba, e na Índia, além de ser assistente de realização em projetos de outros autores. O seu trabalho como realizadora explora diferenças culturais, memórias pessoais e memória coletiva.
Na sua filmografia conta com Sobre Viver, Brigada Intramuros, El Carteiro, Compacta y Revolucionaria e Tales on Blindness. Juntamente com o artista-videasta francês Irvin Anneix, co-realizou a temporada luso-francesa da websérie “Cher Futur Moi”. Ao realizar o documentário para a RTP A Vida nas Trincheiras, descobriu a história que serviu de ponto de partida para a realização do seu filme mais recente: Damas (Ukbar Filmes, com estreia prevista para 2026 na RTP). Atualmente prepara um telefilme para a RTP1, que fará parte da série “Contado por Mulheres”, também produzida pela Ukbar Filmes.

“Guardiãs do Nascimento” de Francisca Marvão | Portugal | 68’ | doc | 2025 | Estreia Mundial
Sinopse:
Guardiãs do Nascimento é um filme sobre parto humanizado, empoderado, informado e consciente. Convida à reflexão sobre o nascimento, à partilha de conhecimentos e histórias, e ao diálogo sobre como nascemos em Portugal.
Francisca Marvão:
Francisca Marvão é realizadora, formada em Cinema, Vídeo e Comunicação Multimédia pela Universidade Lusófona. O seu trabalho em documentário centra-se na memória, na identidade e nas formas de resistência. Em 2017, estreou a curta-metragem O Descanso na Intensidade das Cores no Doclisboa e, em 2019, estreou a sua primeira longa-metragem, Ela é uma Música, sobre as mulheres e o rock em Portugal, no IndieLisboa. Concluiu recentemente os filmes Guardiãs do Nascimento, com estreia no Porto Femme 2026 e Quem tem medo de Zurita de Oliveira?, que vai estrear no IndieLisboa 2026. Em 2023, co-fundou a Uma Ova - Associação Cultural com Diana Martins, onde desenvolve projetos transdisciplinares.

“Eu Queria Ser Tudo” de Luisa Costa Pinto | Portugal | 47’ | doc | 2025 | Estreia Mundial
Sinopse:
Eu Queria Ser Tudo aborda os horrores de processos promovidos nas instituições totais, manicómios e prisões, produzidos em períodos de opressão, aqui centrado no Brasil, e reflete as políticas autocráticas, que procuram apagar qualquer divergência ideológica comportamental de regimes autoritários. Ainda que estes casos também tenham ocorrido no masculino, neste documentário, o principal foco são as mulheres, internadas compulsivamente, falsamente diagnosticadas como loucas por desafiarem as normas, e aquelas que foram presas e perseguidas pelas “ditaduras”, vítimas do horror de anos de perseguição, violência sexual, violência de intimidade e tortura. Eu Queria Ser Tudo é um apelo ao não esquecimento da violação de direitos humanos, um apelo ao dever da memória, para que a história não se repita.
Luísa Costa Pinto:
Luisa Pinto é Doutorada em Estudos Artísticos na variante de Estudos Teatrais e Performativos, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Pós-doutorada em Artes Performativas pela USP - Universidade de São Paulo. Realizadora, encenadora, atriz e docente no ensino superior na Escola Superior Artística do Porto (ESAP) e na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). É investigadora no Centro de Estudos Arnaldo Araújo/ESAP. Tem obra publicada e profere palestras na área do Teatro e das Artes Performativas em vários eventos nacionais e internacionais. Como encenadora levou à cena mais de trinta peças. Entre 2007 e 2015, foi diretora artística do Teatro Municipal Constantino Nery em Matosinhos. Foi co-realizadora do documentário Rompendo os muros da prisão e co-realizadora do filme-concerto O filho pródigo. É realizadora do documentário Eu Queria Ser Tudo, resultado de um vasto trabalho de investigação.

“Fragmented” de Balolas Carvalho, Tanya Marar | Malta, Portugal | 7’ | doc | 2024 | Estreia Regional
Sinopse:
Um pioneiro do jornalismo em Gaza reformado e ex-prisioneiro político, tomou a impossível decisão de deixar a sua terra natal, ao fim de 25 dias de genocídio, e partir para Malta. A sua fuga não é apenas uma questão de sobrevivência pessoal, mas uma tentativa desesperada de honrar o apelo da filha por uma oportunidade de futuro em conjunto. Fragmented é uma coleção de memórias que confrontam o custo humano da ocupação militar israelita e a luta persistente por justiça na Palestina.
Balolas Carvalho & Tanya Marar:
Balolas Carvalho é uma jornalista independente portuguesa e realizadora de documentários com foco nos Direitos Humanos, Relações Internacionais e movimentos de decolonização. Com uma forte crença no poder da comunidade, Balolas procura inspirar uma forma regenerativa de estar mais politicamente consciente, movida pela ética e ligada ao coração.
Tanya Marar é uma cineasta e diretora de fotografia árabe, com base entre a Jordânia e o Reino Unido. Procura contar histórias que ressoam dentro de si, na esperança de que essa ressonância seja sentida por outras pessoas.

“The inhabitants” de Maureen Fazendeiro | Portugal, França | 41’ | doc | 2025
Sinopse:
Uma cidade‑dormitório nos subúrbios de Paris, com os seus lotes inspirados no modelo americano, as suas estufas de rosas e hortícolas e os seus habitantes. É inverno e um acampamento de pessoas Roma instalou-se na cidade. Enquanto a maioria dos vizinhos não está contente e exige que os recém-chegados sejam expulsos, algumas mulheres tentam ajudá‑los a habitar o terreno que ocupam.
Maureen Fazendeiro:
Maureen Fazendeiro (1989, Créteil - France) é realizadora e argumentista. Estudou literatura, arte e cinema na Universidade Denis Diderot em Paris. As suas curtas e medias-metragens Motu Maeva (FID 2014), Sol Negro (TIFF 2019) e Les Habitants (Cinéma du Réel 2025) circularam no mundo inteiro em festivais, cinematecas, museus e exposições. Nos últimos anos tem dividido o tempo entre projetos individuais e colaborações com Miguel Gomes, como diretora de casting e argumentista (Grand Tour, Cannes Competição Oficial 2024). Juntos co-realizaram Diários de Otsoga (Quinzena dos Realizadores Cannes 2021). A sua longa-metragem As Estações estreou na competição de Locarno em 2025. Vive em Lisboa, Portugal.

“Variações sobre como cultivar uma cidade” de Mónica Martins Nunes | Portugal | 29’ | doc, exp | 2024
Sinopse:
Brotam.
Nos terrenos baldios contra o martelar dos prédios sempre em construção, entre muros de granito, cimento e chapa com ferrugem, musgo e gatos; na encosta entre o comboio e o rio, junto ao trânsito na VCI, frente ao metro, brotam hortas.
Nesta cidade, a coreografia de gestos milenares do cultivo da terra repete-se dia após dia, sem falta. Semeiam, cavam, colhem, regam, comem, falam, descansam, voltam no dia a seguir e recomeçam. O dia mais longo do ano traz o S. João e ninguém se vai deitar, mas quando o Sol nascer, estes discretos gestos de resistência vão recomeçar.
Mónica Martins Nunes:
Mónica Martins Nunes procura o potencial subversivo e a poesia dos lugares, materiais, tradições e modos de vida, que discreta e bravamente resistem à margem de uma sociedade demasiado acelerada e que tudo pretende englobar. Cresceu a ouvir décimas, adivinhas e modas à mesa com o avô. Estudou cerâmica na Escola António Arroio, Escultura na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e Artes Visuais na UdK Berlin (Meisterschüler).
O seu primeiro filme Na Cinza Fica Calor ganhou, entre outros, o prémio de melhor curta documental na competição internacional do DOK Leipzig 2018, após estrear no IndieLisboa. O seu segundo filme Sortes - filmado na Serra de Serpa e dedicado ao seu avô - estreou no Visions du Reél e ganhou o German Short Film Award de Melhor Média Metragem 2022 e o prémio do público FIKE. Ambos foram filmados com vagar e cuidado, numa equipa de uma só mulher em diálogo aberto com os protagonistas.
Desde então, mantém uma colaboração artística com a cineasta Deniz Şimşek, da qual nasceu o filme detours while speaking of monsters - sobre o monstro que habita os contos populares curdos - que estreou na Berlinale e foi distinguido com o German Short Film Award de Melhor Filme Experimental 2024, entre outros prémios. E finalmente o filme Variações Sobre Como Cultivar Uma Cidade, filmado nas hortas que populam a cidade do Porto, co-vencedor do Prémio EMAF no European Media Arts Festival.
