Homenagem

 

22 de Abril

 

Horário: 21h15

 

Local: Batalha Centro de Cinema - Sala 1

Em continuidade com as homenagens anuais a mulheres cineastas portuguesas que o Porto Femme tem vindo a desenvolver, esta edição destaca Raquel Soeiro de Brito, reconhecendo o seu percurso pioneiro e a sua singular contribuição para o cinema e para as imagens em movimento em Portugal.

Num ano em que o festival convoca as pioneiras do cinema português, esta homenagem ganha especial significado. Tendo celebrado recentemente o centenário do seu nascimento, o seu trabalho continua a ser fundamental para a compreensão das relações entre cinema, território e observação do mundo.

Através de um olhar atento às geografias, paisagens e comunidades, os seus filmes constroem um corpo de trabalho singular, revelando diferentes formas de ver, habitar e interpretar o mundo!

Nota biográfica (da autoria da própria):

Raquel Soeiro de Brito (1925), geógrafa e investigadora, licenciada em Ciências Geográficas (1948) com a tese “O Soajo - Notas geográficas, acerca de uma aldeia do Minho Alto”; foi convidada, nesse mesmo ano, como assistente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, cargo que desempenhou até 1952, ano em que defendeu a tese de doutoramento sobre “A Ilha de São Miguel - Estudo geográfico” , após o qual foi integrada como primeira assistente na mesma Universidade. Nesta posição hierárquica fez parte da Missão de Estudos à Índia Portuguesa
(1956-57).

Em 1957 ocorreu o vulcão dos Capelinhos na ilha açoreana do Faial, observação que cuidadosamente seguiu ao longo dos dois períodos de observação, dos quais foi publicado, a pedido da revista Naturalia, a “Primeira notícia da erupção dos Capelinhos na ilha do Faial” (Orlando Ribeiro/Raquel Soeiro de Brito) e que largamente tem sido divulgada através de conferências, em Portugal como no estrangeiro, sempre acompanhada por filmes e fotos que a própria produziu, pela maior parte.

Em 1960 foi convidada pela direcção do ISCSPU como professora associada; em 1966 defendeu o posto de professora catedrática com o trabalho “Goa e as Praças do Norte” que mereceu o prémio “Gago Coutinho”, da Sociedade de Geografia de Lisboa, e, nesse mesmo ano, foi publicado pela Junta de Investigações do Ultramar. Seguiram-se 20 anos de investigações por todo o ex-ultramar apoiados com vasta documentação fotográfica e de filmes, trabalhos condensados em “No trilho dos Descobrimentos - estudos geográficos”, publicado em 1997 pela CNDP.

Em 1977 foi-lhe pedido, pelo então Ministro da Educação, para integrar o grupo de professores encarregado de “formatar” a Nova Universidade de Lisboa, onde fundou os Departamentos de Antropologia e de Geografia e Planeamento Regional, este, com um currículo bastante inovador.

A sua actividade prosseguiu para além da “obrigatoridade” de trabalho, que ocorreu em 1996. No começo do novo milénio é eleita para vice-presidente da Academia de Marinha, onde durante 15 anos colaborou entusiasticamente em várias tarefas, com vários Presidentes.

Em 2002 publicava-se, pelas Edições Inapa, “Nordeste Alentejano em mudança”.

Em 2005 realizou um ciclo de conferências no CCB sobre Portugal “ A Terra e a Gente”; e concluía-se a longa tonga tarefa de preparação do volumoso “Atlas de Portugal”, edição do Instituto Geográfico Português, de que eu fui responsável, em que colaboraram mais de uma dúzia de autores, foram realizadas muitas dezenas de mapas e de gráficos e escolhidas inúmeras fotografias.

... e o facto de ser mulher em nada e nunca interferiu na minha vida científica; talvez até pelo contrário; em algumas circunstâncias pareceu-me sentir, até, uma certa admiração!