“Mulheres, Terra, Revolução” de Rita Calvário, Cecília Honório | Portugal | 58’ | doc | 2025 | Estreia Regional

Sinopse: 

Entre o campo e a revolução, este documentário dá voz às mulheres rurais que foram protagonistas silenciosas da mudança. Através dos testemunhos de agricultoras, cooperativistas e jornalistas, revela-se uma história de resistência, de luta pela emancipação e de construção de poder popular, num tempo em que falar — e agir — era, para muitas mulheres, um ato verdadeiramente revolucionário.

 

Rita Calvário & Rita Onório: 

Rita Calvário (1978) é investigadora do DINAMIA’CET‑Iscte. É co-coordenadora dos livros “Insurgent Ecologies” (2024) e “The Political Ecology of Austerity” (2021). É também co-autora de “Mulheres, Terra, Revolução: o 25 de Abril visto pelas mulheres rurais” (Tinta‑da‑China, 2026).

Cecília Honório (1962) é professora de História e investigadora no CHAM — NOVA FCSH. É autora das obras “Novas e Velhas Extremas‑Direitas” (2021), “O Espectro dos Populismos” (2018) e “Mulheres contra a Ditadura” (2015). É também coautora do documentário Novíssimas Cartas Portuguesas (2022) e de “Mulheres, Terra, Revolução: o 25 de Abril visto pelas mulheres rurais” (Tinta‑da‑China, 2026).

“Linda” de Virginia Garra | Itália | 13’ | doc | 2025 | Estreia Internacional

Sinopse: 

Linda é uma jovem que trabalha como eletricista em Milão, Itália. Os seus dias decorrem enquanto ela se desloca de um estaleiro para outro. Ela visita casas elegantes, armazéns, átrios, caves e portarias de edifícios históricos. Ela partilha as reações das pessoas com quem se cruza e como ainda lhes parece estranho chamar um técnico e aparecer uma mulher.

 

Virginia Garra: 

Virginia Garra (Milão, 1993) é uma artista visual e cineasta que vive em Milão, Itália. Através do seu olhar poético e delicado, ela explora situações do quotidiano, desvendando-as e revelando perspetivas inéditas. A sua curta-metragem My Sunset Room (2021) ganhou o Prémio do Júri “Perspectives” no Filmmaker Festival, em Milão. As suas obras têm sido apresentadas em várias exposições e sessões, incluindo no Centre d'Art Contemporain em Genebra (CH), na Fondation Pernod Ricard em Paris (FR) e no Lucania Film Festival em Pisticci (IT).

“Shh...” de Jolie Ruelle | EUA | 1’ | ani, exp | 2024 | Estreia Internacional

Sinopse: 

Esta curta-metragem de animação pretende demonstrar a pressão que existe para ocultar o nascimento de um filho e a maternidade no contexto profissional. Ao silenciar estes acontecimentos profundamente transformadores, é frequente existirem lacunas inexplicáveis nas narrativas profissionais das mulheres que se tornam mães. E se preenchêssemos essas lacunas com uma transparência ousada, apresentando visões holísticas e completas das nossas vidas?

 

Jolie Ruelle: 

Jolie Ruelle é uma artista e educadora que trabalha nas áreas da animação e do motion design. Licenciou-se em Belas Artes pelo Massachusetts College of Art (2004) e obteve o mestrado em Belas Artes pela Universidade da Califórnia em Santa Cruz (2012). O seu trabalho tem sido exibido a nível nacional e internacional. As suas áreas de interesse incluem a fusão de práticas de animação analógica com técnicas de composição digital e a exploração do potencial da animação para gerar impacto social e ambiental.

“Craftswomen” de Gabriella Gerolemou | Grécia | 73’ | doc | 2025 | Estreia Nacional

Sinopse: 

Maria, Stavroula e Magda fazem trabalhos de carpintaria numa oficina partilhada no centro de Atenas. Vindas de origens diferentes, mas com pontos de vista em comum e uma amizade que as une, decidem abrir a sua própria carpintaria. Este documentário observacional acompanha‑as durante essa transição. Através das suas relações pessoais, da sua vida quotidiana nas duas oficinas e da interação com os transeuntes, o documentário desafia estereótipos de género e questiona as narrativas dominantes sobre competitividade nos locais de trabalho.

 

Gabriella Gerolemou: 

Gabriella Gerolemou nasceu em Lemesos e foi criada entre Chipre e Grécia. Atualmente vive e trabalha em Atenas como realizadora, diretora de fotografia e montadora para curtas e longas-metragens, aclamadas pela crítica. É licenciada pelo Departamento de Fotografia e Artes Audiovisuais da University of West Attica e possui um mestrado em Artes Digitais pela Athens School of Fine Arts. Em 2022 foi selecionada para participar do Editing Studio do programa Talents do Sarajevo Film Festival.
Este é a sua primeira longa documental e foi seleção oficial no Thessaloniki International Documentary Festival em 2025.

“Mrs. Faiza & Dr. Love” de Anissa Daoud | França | 25’ | fic | 2025 | Estreia Regional 

Sinopse: 

Faiza é tudo o que se poderia esperar de uma mãe magrebina que vive na cidade: trabalhadora, dedicada aos filhos que cria sozinha, atenciosa e prestável. Mas no modesto apartamento da família, Faiza Alaoui tem um “quarto só seu”, onde outra faceta da sua personalidade se revela, uma faceta que não tem medo de transgredir e que a reconecta com as ambições da sua juventude.

 

Anissa Daoud: 

Com um pai tunisino e uma mãe franco-italiana, Anissa Daoud é atriz, escritora, produtora e realizadora. No teatro, foca-se em projectos transdisciplinares com um cunho político. No cinema, já participou em vários filmes premiados, incluindo Beauty and the Dogs. Também é co-fundadora da A.P.A. (Artistes Producteurs Associés), que produz teatro e cinema, exibido internacionalmente, como em Cannes e Veneza. Como realizadora, cria curtas-metragens centradas no feminismo, como Best Day Ever and The Bath. Em simultâneo com o trabalho de atriz e de produção, está neste momento a desenvolver vários projetos fílmicos, incluindo a sua primeira longa, Les Immortelles.

“THE GUIDING LIGHT” de Cristina Rodríguez Paz | Espanha | 20’ | doc | 2025 | Estreia Nacional

Sinopse: 

Através deste filme, as últimas faroleiras prestam uma homenagem íntima e reflexiva à profissão que definiu as suas vidas. Não é apenas uma profissão que está a desaparecer… É um requiem coletivo a um modo de vida que se está a extinguir.

 

Cristina Rodríguez Paz: 

Cristina Rodríguez Paz, 1975, licenciada em Cinematografia pela ECAM, ano 2000. A sua carreira abrange trinta anos no departamento de câmara, tendo trabalhado em mais de 40 longas‑metragens, nacionais e internacionais, e em projectos com todo o tipo de orçamentos. Esta é a sua estreia como realizadora após anos de experiência no departamento de câmara em longas‑metragens, séries de televisão, publicidade e documentários, viajando por todo o mundo.

“Nada a Fazer” de Leandra Leal | Brasil | 87’ | doc | 2025 | Estreia Internacional

Sinopse: 

Nada a Fazer acompanha a transformação na relação mãe-filha das atrizes brasileiras Angela e Leandra Leal, quando confinadas durante a pandemia de COVID19. Com o teatro da família em crise e temendo o futuro, decidem ler e estudar a peça Esperando Godot, início de uma jornada de amor e arte onde o Teatro é espaço de transformação. Captado de forma íntima e artesanal, o documentário é amparado em profundo arquivo familiar, atravessa o tempo, reverencia a memória e a maternidade.

 

Leandra Leal: 

Leandra Leal é atriz, produtora e diretora.  Atuou em 28 longas-metragens, produziu oito longas e é diretora do filme Divinas Divas, documentário de maior público no Brasil em 2017, premiado nos festivais SXSW, Festival do Rio, Festival de Aruanda e Grande Otelo. Leandra recebeu prêmios como Fênix, Biarritz, APCA, Gramado, entre outros, e foi homenageada no festival de Tiradentes em 2017.  É criadora e diretora da série de ficção "A Vida Pela Frente", um original Globoplay lançado em 2023.

“Like a spiral” de Lamia Chraibi | Canadá, Marrocos | 28’ | doc, exp | 2024 | Estreia Nacional

Sinopse: 

Like a Spiral é um diálogo entre Beirute e cinco mulheres, trabalhadoras domésticas migrantes, sob o sistema Kafala. Expressando o seu sentimento de pertença a uma sociedade em colapso, as vozes das mulheres erguem‑se através das imagens granuladas do filme, para denunciar a sua liberdade roubada, com uma sede inalienável de existir. As suas memórias dançam ao ritmo da opressão. Presas na espiral da vida, erguem‑se para não afundar no esquecimento.

 

Lamia Chraibi: 

Lamia Chraibi é uma cineasta franco‑marroquina radicada em Montreal. Interessa‑se particularmente por temas de justiça social, identidade, família e território. Também aborda assuntos relacionados com a linguagem corporal e a arte social. O ser humano está no centro da sua abordagem. Os seus estudos em ciências sociais (Sorbonne, Paris) e em documentário (INIS, Montreal) moldaram a sua visão sensível e comprometida do mundo. A sua arte é alimentada pelas questões da sua identidade, pela sua trajetória migratória e pelas suas viagens. O cinema de Lamia baseia-se no tempo e na confiança estabelecida com os protagonistas. Com uma abordagem poética, a sua câmara dá voz às pessoas esquecidas, de diversos contextos.

“23 and Mary: A Banning Abecedarium” de Maya Han | EUA | 19’ | doc, exp | 2025 | Estreia Nacional

Sinopse: 

23 and Mary: A Banning Abecedarium oferece um vislumbre poético e esclarecedor da vida e da arte de Mary Elizabeth Banning (1822-1903), uma pioneira micologista americana. Autodidata e uma das primeiras e únicas mulheres no então crescente campo da micologia. A sua obra-prima, 175 ilustrações em aguarela, permaneceu escondida e esquecida por quase um século. Este filme traz a sua história ao público, pela primeira vez, e celebra uma notável heroína desconhecida da ciência.

 

Maya Han: 

Maya Han é uma artista e cineasta radicada no Brooklyn, cujos projetos recentes se concentram nas ciências naturais, justiça ambiental e ecofeminismo. As suas obras integram técnicas interdisciplinares para expandir a linguagem das imagens em movimento, dar visibilidade a histórias ocultas e criar novas representações que transformem o possível. Ela recebeu prémios do Conselho de Artes do Estado de Nova York, da Fundação de Artes de Nova York e da Bolsa de Artes Ambientais Puffin, e seu trabalho foi apresentado internacionalmente em festivais de cinema e espaços de arte.

“Code 99881” de Heshoo Fatih Mohammed | Iraque | 12’ | doc | 2025 | Estreia Mundial

Sinopse: 

Ruxsar é uma jovem que trabalha num hospital oncológico como enfermeira de quimioterapia. Todos os dias prepara um grande número de medicamentos para os pacientes, salvando muitas vidas. Contudo, devido à natureza perigosa dessas substâncias e à exposição diária a elas, a sua própria vida acaba por correr riscos sérios.

 

Heshoo Fatih Mohammed: 

Heshoo Fatih Mohammed, nascida em 1998 em Sulaymaniyah, licenciou‑se em 2021 no College of Fine Arts, no Departamento de Realização Cinematográfica. Atualmente está a frequentar um mestrado em cinema. Nos últimos dois anos tem escrito artigos e trabalhos sobre cinema e é autora de um livro teórico sobre estudos cinematográficos.

“Cá e Lá - 40 Anos em Cena” de Ana Isabel Freitas | Portugal | 29’ | doc | 2025 | Estreia Mundial

Sinopse: 

Ao longo de 40 anos, a companhia de teatro bilíngue Cá e Lá deu voz às histórias da imigração portuguesa em França. Este documentário acompanha o percurso das suas duas fundadoras, que revisitam a própria história — redescobrindo fotografias dos primeiros anos, refletindo sobre a evolução artística do seu trabalho e reinterpretando, hoje em cena, os mesmos quadros teatrais do passado. Entre memória e transmissão, entre deslocamento e enraizamento, o filme reflete sobre a arte do teatro como espaço de resistência, transmissão e transformação.

 

Ana Isabel Freitas: 

Ana Isabel Freitas é uma cineasta e artista visual portuguesa radicada em Paris. Formada em Belas-Artes (Universidade do Porto) e detentora de um mestrado em Desenvolvimento de Projetos Cinematográficos (ESTC, Lisboa). Os seus documentários — incluindo Lá em Baixo (2020) e Uma Vindima (2015) — recorrem a material autobiográfico e à materialidade da memória. Doutoranda em Estudos Portugueses na Université Paris Nanterre, desenvolve projetos de investigação-criação sobre o folclore da migração portuguesa em França e trabalhou como mediadora cultural, professora de língua e atriz de palco na companhia de teatro bilíngue Cá e Lá.

“Wolobougou” de Camille Varenne | França | 66’ | doc

Sinopse: 

Wolobougou significa “o lugar do parto humanizado” em Bambara. É o nome de uma pequena clínica de maternidade remota, fundada pela parteira Honorine Soma, no Burkina Faso. O seu objetivo é revolucionar o lugar da mulher na sociedade burquinense. Ela criou a sua própria clínica para dar acesso a cuidados de saúde, a mulheres de zonas rurais. Numa região com poucos (ou nenhuns) recursos médicos, todas as suas ações são essenciais. Ela transmite a sua luta feminista às jovens parteiras que treina. É a busca pela dignidade e pela justiça, a partir da experiência íntima do corpo.

 

Camille Varenne: 

Camille Varenne (1992) é cineasta e programadora de cinema. Os seus documentários intersectam cinema, pesquisa artística, e perspectivas feministas e decoloniais.
Depois de Wéfo (2015), sobre cavaleiros tradicionais burquinense, fez Blakata (2019) - um documentário western (Prémio do Júri Jovem no Corsica.Doc Festival). Co-realizou Pedra e Poeira (2018) com André Parente. Formada no Institut Imagine em Ouagadougou e com uma pós-graduação de investigação em arte da ESACM, também é membro do comité de seleção do Festival Internacional de Curta-Metragem de Clermont-Ferrand.